Algumas pessoas tem um discurso bom. Outras, iniciativas boas, e outras, nem um nem outro. Aquelas com um bom discurso puritano e moralista, que banque isso, e as outras… tudo bem, nós somos assim mesmo.

Parecia que ele queria estender para mais uma eleição, mas disse que respeita a democracia e nunca faria isso. Chamou os protestos do Irã de choro de torcida perdedora, mas defende com seriedade a democracia de Honduras. Esqueceu de condenar a ditadura do Sudão, mas insiste em manter uma política democrática quando se trata de comentários autoritários de Hugo Chavez. Seu partido, anunciou que apoiava a saída de Sarney, mas quando foram ameaçados a perder o apoio do PMDB nas próximas eleições, voltaram atrás com a justificativa, “afastá-lo não resolve o problema”.

Possuir algo é por em risco perdê-lo.

Quanto mais atraente, mais cobiçado e invejado.

Pouco importa o esforço aplicado,

ele pode ser roubado.

O empenho dedicado para obtê-lo,

deve ser dobrado para guardá-lo.

Mesmo assim, há chances de ser furtado.

Quanto mais escondido, mais desejado.

Isso quando não foge por conta própria de tão oprimido.

Possuir sair caro,

mas ninguém quer arriscar deixar escapar:

o preço é mais alto. 

Daniel De Luccas

Mulheres em sua maioria querem ser livres. Lutam por autonomia. Se relacionam com quem querem. Conseguem cada vez mais cargos profissionais predominantemente masculinos. Moram sós. Constróem patrimônio. Buscam ser respeitadas por quem são, não pelo que aparentam. Se entristecem com as culturas muçulmanas extremistas.

Mas onde estão essas mulheres?

Não sei quantas vezes fui rejeitado por tratá-las como mulheres. Meus relacionamentos mais duradouros foram aqueles pelos quais não as tratei como gente.

Essas não conseguem ficar só, ou fazer programas com seus amigos. Nos dão demasiada atenção e prestam contas de tudo. São extremamente amorosas e apaixonadas. Ficam cheias de ciúmes e se tornam dominadoras. Lutam bravamente pelo relacionamento motivadas em nos ter ao seu lado pelo período mais  longo possível.

Ao mesmo tempo, exigem de nós todas essas coisas, e que elas sejam expressadas da mesma maneira e intensidade. Quando isso não acontece, nos deixam.

Por favor. Recusem-se a ser maltratadas.

“They are proud of themselves”, says McCain during his inacredible speech recognizing his defeat this wednesday, in Phoenix. 
I just wonder who he means to be proud. Only the blacks, or everybody else that voted for him including whites, Mexican-Americans, Indian-Americans, African-Americans, and all the ones who supported his ellection around the globe.

“Já que tem de votar, que seja no menos pior”, diz o povo.

Sr. Célsio Pedrova, 78, reside na Rua Pavão, 764, em Moema, São Paulo, há quarenta e oito anos com sua esposa Maria. Eles se mudaram em 1960 do bairro de Santo Amaro devido a distância do antigo bairro para o trabalho de Sr. Célsio no centro da cidade. A casa foi construída em 1942, e mantém até hoje as mesmas características – muro baixo, portão de madeira pequeno, quintal, e cadeira de balanço na sacada – sem ter sido reformada.

  

“Quando eu me mudei pra cá, eu andei rua por rua para encontrar esta casa”, conta Sr Pedrova, que acompanhou de perto as transformações do bairro desde sua mudança. “Esta rua ao lado eu ajudei a pavimentar”, diz ele a respeito da Rua Gaivota e da sua participacão no progresso do bairro.

 

Na época em que Sr Célsio e sua esposa se mudaram para Moema, o bairro já era considerado privilegiado – fato importante para a escolha deles. No entanto, o casal encontrou algumas dificuldades na escolha. “A maioria das casas não tinham uma área aberta – as janelas davam direto pra rua“, comentou Sr Célsio, “então acabei escolhendo essa que é de esquina, mas tem meu quintal pra eu ficar sentado olhando o movimento na rua.”

 

Sr Celsio não se importa de morar em Moema hoje. Apesar da casa aparentar um estilo de vida mais tranquilo, Sr Célsio se acostumou a conviver com a agitação do bairro, “Eu gosto daqui, é um bairro privilegiado, com bastante policiais pelas ruas”.

Mesmo preferindo um bairro como Moema, Sr Célsio admite ter dificuldades de interação com os moradores da região, “as pessoas aqui são muito individualistas”, explica. Quando perguntado sobre a diferença entre essa convivência de hoje com a de antigamente, Sr Célsio diz não ser tão diferente: “As pessoas daqui sempre foram assim, um pouco indiferente uns com os outros. Agora ainda mais por não ser um bairro somente residencial. Mas eu prefiro assim, quem não é amigo também não é inimigo”.

 

Moema é um bairro movimentado da zona sul de São Paulo, mais conhecido pelo Shopping Ibirapuera, por seus bares e restaurantes, e pelas inúmeras lojas de roupas e sapatos, distribuídas nas ruas da região, que levam nomes de pássaros como Gaivota, Bem-te-vi e Pavão. Mesclados com essa movimentação comercial, vivem em Moema, milhares de habitantes espalhados em prédios de classe média e alta, fazendo de Moema um bairro eclético e atraente.

 

Sr Célsio acompanhou essa evolução do bairro desde o início: “Não existia essa agitação toda. O aeroporto era pouco menos movimentado, mas eram aviões menos barulhentos que passavam”. Ele também conta que na época existia uma lei que proibia a construção de prédios ali, por causa da proximidade do aeroporto de Congonhas. Mas logo após a liberação da construção do primeiro prédio poucas quadras de sua casa, Sr Célsio diz que em alguns anos sua pequena e antiga casa estava escondida pelos prédios. “Eu vejo aviões passando a poucos metros dos prédios. Isso é um perigo”, reclama Sr Pedrova.

 

Ao mesmo tempo que o movimento aéreo crescia, os comércios também expandiam, causando também uma maior circulação de carros e pedestres. “Depois da construção do Shopping Ibirapuera no começo da década de 80, muitos outros pequenos comércios migraram pra Moema”, lembra Sr Célsio.

 

Enquanto que o bairro sofreu transformações em todos os aspectos, a casa de Sr Célsio permaneceu a mesma, e seu estilo de vida é facilmente notado pelos que passam pela Rua Pavão. Quanto ao futuro de Sr Célsio, ele prontamente responde: “Daqui eu não saio. Já me ofereceram várias propostas de compra, mas se o valor não for o dobro do que está avaliado, eu nem converso”. A casa de Sr Célsio está avaliada em um milhão de reais.

Daniel De Luccas

“Minha casa está de portas abertas. Quando quiser descer e matar a saudade da praia, é só falar comigo.”

Priscila olhou para o celular, viu a hora e procurou um garçom. Em sua face ainda restava um pouco do êxtase da memória, mas demonstrava-se um pouco impaciente. Ela se lembrou que deixou a TV ligada e o álbum aberto. Não via a hora de chegar em casa e ligar para Natalia, sua melhor amiga, parceira de viagem também.

Renato desconfiou que ela estava um pouco atordoada com a “muvuca” do lugar, o barulho, o cheiro de fumaça, carros buzinando e o vento que batia. Pensou em convidá-la para ir ao shopping, talvez assistir um filme, ou até mesmo à casa dele, mas achou que fosse muito cedo para isso. Então sugeriu que sentassem na parte de dentro, num local mais aconchegante. Estava disposto e paciente para conquistá-la.

“Não, não precisa. Na verdade eu preciso voltar. Tenho algumas coisas para fazer em casa.”

Eles pediram a conta e Renato a acompanhou de volta para casa.

Estava um pouco confuso e não sabia o que dizer. Tudo só confirmava ainda mais o quanto mulher é complicada. Uma hora com cara de mais feliz do mundo, outra hora com “cara de bunda”, emburrada.

Pensou na TPM de mulher. No que as agradam. Nos “foras” mais inesperados que já levou, mas nas vezes que o impossível aconteceu. “Um detalhe pode mudar toda a história, basta descobrir que detalhe é esse. Será que ela deixou alguém nas “gringas”? Será que tem alguma forma de reavivar o que ela sentia por mim? Mulher precisa se sentir protegida por alguém.” – foi o máximo de entendimento que se aproximou ao refletir sobre o comportamento da moça.

Quando se deu conta, já estava na porta do prédio de Priscila. Foi surpreendido por um puxão no braço. “Aonde você vai? É aqui, esqueceu?”

Esse jeito de moleca o puxando pelo braço, sorrindo e cutucando levemente o passado com a pergunta “Esqueceu?” podia ter sido um sinal verde para um convite ao romance colegial. Por que não? Afinal, quem não gosta de ressuscitar o lado “moleque” de viver? O jogo virou e a chance de Renato aumentou, o sangue dele subiu, o coração bateu mais forte e ele a enxergou como a menina travessa de anos atrás, que adorava um charme másculo, atrevido e descontraído.

Renato não a soltou. Virado de frente para ela, segurou com sua outra mão no ombro da garota. Ela, ainda sorrindo, parada na frente dele, tendo achado engraçado o quão desligado ele estava de ter continuado a caminhada sem notar o prédio, observou seus movimentos.

Renato, com delicadeza, tira os cabelos de Priscila que caíam sobre seus ombros e as apoiam em seu rosto, a segurando. Lembrou de a possuir, mas agora precisava descontrair. “Nem com as botas mais caras e altas da Europa você conseguiu crescer, hein Prizinha! Nem no meu ombro você bate mais.”

Priscila não conseguia parar de rir. Nem tanto pela piada e mais pela cena cômica. Ela notou o quanto ele não parava de maquinar durante todo o percurso. E agora, como um lutador de Jiu-jitsu, praticamente aplicou uma chave de pescoço e a deixou sem reação. Somente ria, segurando a gargalhada.

“Você não muda mesmo. Nos falamos!”. Priscila saiu se esquivando e andando, sorrindo, surpreendida, porém reavivada. Afinal, quem não gosta de gargalhadas e molequices colegiais que animam o espírito? Não passava outra coisa em sua mente na subida do elevador até seu apartamento a não ser a hora que iria abrir seu álbum de fotos, na página onde tiraram a foto de um velhinho a cantando em pleno centro de Barcelona, recitando versos próprios e brincando com seus cabelos.

A ligação para Nati durou longas horas naquela noite.

 

Daniel De Luccas

Priscila continuava confusa. Não por não lembrar do Rega, com quem teve um caso na escola, mas por não entender como ele soube de sua volta e do seu telefone que mudou algumas vezes depois que se formaram no colégio.

 “Oi Rega!” – responde com voz empolgada. “Ainda tô um pouco desacostumada com tudo!”

Priscila não pensou em nenhuma desculpa rápida para recusar o convite de Renato para encontrá-la na padaria, a algumas quadras do seu apartamento, onde seu pai sempre comprava pães quando era ainda uma pequena padaria de portugueses, naquela epoca ainda sem muita fama e estrutura.

Priscila colocou apenas uma jaqueta branca de zíper Adidas, que comprou quando ainda morava nos EUA, um cachecol verde liso, que ganhou de Dia dos Namorados do ex, e uma boina preta, para esconder seu cabelo desarrumado.

Ela não pretendia mesmo ficar fora por muito tempo. Deixou a porta de vidro da sacada sem fechar completamente, a TV ligada, o sofá bagunçado e o álbum aberto na página da foto de Ana e suas “mil e uma” caretas na Irish pub onde acabou dormindo, de tanta cerveja que tomou.

Renato caminhava focado pela rua, pensando no que dizer para mostrar a Priscila como cresceu. Também não vestiu nada muito pesado, para expor um pouco dos seus músculos que desenvolveu ao longo dos anos que surfou e malhou desesperadamente. Apresentava o rosto queimado pelo vento da praia. Estava seguro e confiante.

Sentados do lado de fora, Priscila não conseguia tirar os olhos das pessoas caminhando pelas ruas, dos novos prédios construídos, dos xingamentos de trânsito e da competição dos guardadores de carros por um cliente. Parecia que eles sempre estiveram ali.

Renato não tirava os olhos de Priscila. Ela se mostrava vulnerável. Seu sorriso de chocada com as coisas brasileiras transmitia, para Renato, uma mensagem de êxtase por tê-lo reencontrado.

“Já foi à praia depois que voltou? Eu sei que o frio está chegando, mas as vezes é bom dar uma escapada da cidade. Não deixo passar um final de semana sem juntar uma galera pra descer. O mar tava perfeito pra surfar. Fui com três brothers meus. Só risada. A gente não consegue acordar 10 da manhã pra nada, mas pra surfar a gente acorda até às 4 da matina, debaixo de chuva e no frio, se for preciso.”

Priscila lembrou de suas três amigas. Uma vez ficaram acordadas até às 3:00 horas da manhã fofocando sobre os gringos, dando risadas, contando dos doces favoritos que comiam pelas cidades européias, e no dia seguinte tinham que acordar às 5 horas para pegar o trem para uma cidade vizinha, na Alemanha.

Paty foi a única que não conseguiu dormir, com saudade do Brasil. Como era a mais pontual do grupo, resolveu ficar acordada, fazer o café e acordar as meninas a chutes e ponta-pés de uma mãe acordando os filhos para ir para a escola.

Os olhos de Priscila brilharam. Tomou um gole do seu cappuccino, saboreou o chocolate respirando o cheiro do café, se esquentou e sorriu por uns segundos, fixada em Renato, pensando nas três amigas.

Renato pensou: “De duas uma, ou ela está com muita saudade de uma praia, ou se encantou comigo. Será que daquele caso que tivemos na escola ainda resta algum sentimento? Meninas esquecem menos do que homens de sentimentos, principalmente quando se tratam de romances antigos.”  

Dizemos com freqüência frases como “devemos lutar pelos nossos sonhos”, ou “seguir o que nosso coração diz”. Afirmações como essas estão por todo o canto. No entanto, como seres organizados em comunidades, nos perguntamos: – Até onde eu devo seguir o meu caminho e lutar pelos meus sonhos respeitando os sonhos das pessoas ao meu redor?

Nessa sede por termos algo que tanto almejamos, muitas vezes, desconsideramos os sonhos das pessoas mais próximas, pelas quais até dizemos que amamos. Para vivermos por completo, precisamos deixar que as pessoas vivam também, porque sem elas, perdemos o motivo para continuarmos a viver. Viver, portanto, independe de somente termos o que desejamos, mas de principalmente compartilharmos vida – cedendo espaço, compreendendo e encorajando – com as pessoas que compõem nossa comunidade.

Na luta cega e desenfreada pelo “ter”, acabamos roubando de alguém, e conseqüentemente perdendo o que muitas vezes é de mais valioso para nós mesmos.

Não temos a certeza do que exatamente Lindemberg queria com esse seqüestro, mas sabemos do que ele menos queria – a morte de quem ele supostamente amava. 

 Daniel De Luccas

(Essa foi uma pausa no conto abaixo “Priscila e Renato” para uma reflexao…)

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